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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Cordel A MENINA E O LIVRO - por Giano Guimarães

1

Uma história sobre páginas
Letras, palavras e versos
De como a leitura pode
Abrir novos universos
Que muitas vezes estavam
Tão distantes e dispersos

Ela havia ganhado um livro
Era um livro de poesia
Na primeira página um Poema
Que falava de fantasia
De como as letras revelam
O mundo que ela não via

Na segunda página ela
Leu um poema encantador
Dessa vez versando sobre
A mágica viva do amor
Do amor que jamais se rende
Nem mesmo na hora da dor

Na terceira página leu
Um poema de brincadeira
Daqueles de bola, de roda
De corrida na ladeira
Da mais pura diversão
Vivida na infância inteira

2

Na quarta página veio
Um poema diferente
Que falava sobre céu
E sobre a lua crescente
Eram versos das alturas
Das coisas que a gente sente

Na quinta página o poema
Tratava sobre saudade
Que quando aparece no peito
Toma conta e nos invade
É como estar faltando
Na gente uma metade

Na sexta página que abriu
A menina se encantou
Leu sobre uma gota d'água
Que outra pessoa derramou
Era água vinda dos olhos
De um poeta que chorou

Na sétima página então
Aconteceu o inesperado
Um poema com seu nome
Muito bonito e rimado
Ver seu nome num poema
Deixou seu dia encantado

3

Na oitava página abriu
Em formato de soneto
Um poema assustador
De um esquisito esqueleto
Que morava num castelo
Velho, já muito obsoleto

Na nona página a menina
Na leitura viajou
Pois era sobre Paris
Cidade que visitou
Em seus sonhos de lugares
Dos quais em ir já pensou

Na décima página havia
Versos lindos de amizade
Dizendo que ter amigo
É ter a sinceridade
O apoio e uma mão amiga
A toda hora de verdade

E foi na página onze
Que esse livro ganhou vida
Era como se a menina
Vivesse a palavra lida
Em cada poema novo
Uma alegria vivida

4

Na décima segunda página
Um poeminha surgiu
Era sobre um cachorrinho
Que de sua casa fugiu
Mas que foi encontrado
Antes de ir para o canil

Na página treze havia
Um poema sobre azar
Sobre sexta feira treze
E gato preto passar
Bem na frente da gente
Numa noite de luar

Na décima quarta página
Versos sobre educação
Era um poema sobre a escola
Que tinha como missão
Levar o conhecimento
Para todo cidadão

A décima quinta página
Tinha apenas uma linha
Um verso que dizia assim:
"Minha alegria é minha"
A menina ficou pensando
Que segredo ali continha

5

A página dezesseis
Sobre o tempo discorria
Dizendo como é rápido
Esse tempo que nos cria
E como ele também é
Um professor que nos guia

Na página dezessete
Um poema desastrado
Sem ter sentido nenhum
Onde um círculo quadrado
Rimava com o infinito
De uma casa sem telhado

Na décima oitava página
A menina completou
O verso que faltava
Sobre a luta que ganhou
A formiga contra o touro
Que bravamente lutou

No poema dezenove
Cada verso repetia
A frase "seja feliz"
Aquilo era a poesia
Mostrando a felicidade
No verso de cada dia

6

E na vigésima página
A menina se perdeu
Dentro do próprio poema
Que quarenta vezes leu
De tão lindo que achou
Sobre Andrômeda e Perseu

Na página vinte um
Versos sobre a natureza
Falando de fauna e flora
Com toda sua riqueza
Sua importância pro mundo
Além de toda a beleza

A página vinte e dois
Tratava sobre um lugar
Bem Distante do nosso
Chamado de Shangri-lá
Onde o tempo não passava
Como aqui vemos passar

7

Na página vinte e três
Um poema que ensinava
Como o hábito da leitura
Na vida tudo mudava
O poema dizia no fim
Que a leitura transformava

Na página vinte e quatro
O livro chegou ao final
Com um poema dizendo
Que o mundo é um quintal
Onde a simplicidade mora
E ser simples é vital

A menina fechou o livro
Logo depois o abraçou
Do lado do seu peito
Por muito tempo guardou
Um livro de poesia
Que jamais da mente tirou

8

A marcante literatura
Que trouxe felicidade
Para aquela menina
De uma pequena cidade
Também lhe trouxe um pouco
De mais profundidade

Esse foi só o começo
De seu amor pela leitura
Esse hábito tão belo
Que acrescenta e traz cultura
Que fortalece o interior
E até mesmo leva a cura

Fica aqui a mensagem
Desse cordel mensageiro
Para ser lido e levado
Para esse mundo inteiro
Como amigo da leitura
E dos livros um parceiro.

Giano Guimarães



terça-feira, 14 de agosto de 2018

Prefiro a poesia


Passam e correm os anos
O tempo carrasco traz a ventania
Hora a brisa chega em ventos mansos
Para encher meu coração de poesia

Nem sempre a chuva cai serena
Como nunca é tempestade todo dia
É melhor esquecer o passado
E olhar em frente, rumo a poesia

Na ilusão do conto de fadas
E na alegria da mercadoria
Buscam as pessoas uma estrada
A minha é a poesia

Eles querem uma luta armada
Com uma pesada artilharia
Preconceituosa e velada
Mas eu, prefiro a poesia.

Giano Guimarães


Tempo vão


Por um tempo vão
Eu tive que viver
Sem meu coração
Perdi muitos dias
Abri mão de alegrias
Preso à solidão.

Já muito ferido
Encontrei o rumo
Me encontrei comigo
Assumi o sentimento
Tudo aqui por dentro
Que me dá algum sentido.


Giano Guimarães

O frio


O frio só tem graça
quando eu te abraço,
quando teu corpo
ocupa o meu espaço.

Quando nossa pele
esquece o cobertor,
quando sentir frio
faz lembrar teu calor.

Giano Guimarães

Rosa do Deserto


No sertão do nordeste
Habita uma rosa encantada
A rosa que veio do leste
E no sertão foi adaptada
Fez de seu lar o agreste
E em nossos olhos morada
A rosa que o sol celeste
Não consegue deixar sapecada
A planta mais linda da peste
É a rosa do deserto florada.

Giano Guimarães


Poesia é juventude

Uma flor me perguntou
Por que poemas eu fazia
Então eu disse a ela
O motivo com alegria:
Escrevia para viver
Para jamais envelhecer
Pois é eterna a poesia.

Ela ficou muito feliz
Com a resposta inesperada
Resolveu desenhar o poeta
Segurando sua espada
A espada era uma flor
O poeta então chorou
Com a cena inusitada.

O poeta então lembrou
Que a flor da juventude
Pode estar em suas mãos
A cada jovem atitude
Basta jovem permanecer
E por dentro compreender
Que o tempo é uma virtude.

Giano Guimarães

Meu calmante

No simples e calmo instante
Do abraço mais carinhoso
Quando esse gesto é bastante
Importante no dia espinhoso
Quando teu sorriso gigante
Me sorri de um jeito amoroso
Tua pele se torna meu calmante
E teu olhar, meu remédio milagroso.

Giano Guimarães

Chuva de saudade

Nas manhãs de chuva,
abro a janela do peito,
olho rumo à saudade
que toma conta do horizonte;

Toma conta de mim,
do meu vasto pensamento,
do espaço vazio
transformado em sentimento;

Toma conta do meu dia
e só vai embora à noite
depois de virar poesia.

Giano Guimarães

Diretriz


Onde estive esses dias
Que não olhei para lua
Não fotografei as aves
Nem andei só, pela rua?
Preso ainda mais estive
Vivendo como o mundo vive
Numa realidade crua.

Estive em vão ocupado
Tão atento e infeliz
Tão sério e comportado
Seguindo toda diretriz
Estive apenas morto
Andando neste corpo
Sem procurar ser feliz.

Giano Guimarães


Espelho


Quando me olhei no espelho do mundo,
uma voz me disse que eu não era humano,
pois minha pele não era branca
e sobre o meu corpo não havia pano.
Mas por que, se eu parecia gente?
Estava havendo algum engano,
Eu falava, tinha braços, olhos e dentes.
Deveria ser um sonho insano,
onde pessoas diferentes
são mal tratadas no cotidiano.


Giano Guimarães

Os moralistas de goela

Fiquei hoje sabendo
Que Toc foi invadida
Por uma tal de gente
Que é muito pervertida
Um tanto de vagabundos
Uns Comunistas imundos
Gente nefasta bandida

O cidadão que disse isso
Nunca gostou de estudar
Matava uma aula danada
E não quis se graduar
Hoje cheio da sabedoria
Diz que pro país seria
Melhor um "MITO" ganhar

Gente que fala em Marx
Sem ter lido pagina sequer
Da obra deste pensador
Ou de um outro qualquer
Gente que livros odeia
Que a intolerância semeia
Ofendendo quem quiser

Critica a universidade
Mas nunca quis frequentar
É cheio de preconceitos
Reproduz sem pesquisar
Vive generalizando
Em memes acreditando
Sem em nada se embasar

É engraçado ver gente
Pagando de moralista
Chamando de maconheiro
Um estudante ativista
Quando a gente sabe bem
Que em Toc o que mais tem
É cachaceiro governista

Rapaz, aqui tem demais
Tanto sujeito babão
Puxador de saco velho
De político ladrão
Gente que não tem vergonha
Bebe uma cana medonha
Mas quer ser o "beatão"

Aqui tem um político
Conhecido por dizer
Que enquanto aqui tiver
Cachaceiro pra viver
Ele sempre ganhará
A política do lugar
E seu poder vai manter

E com ajuda dessa gente
Hoje ele tem se mantido
Fazendo pouco do povo
Mas ele é aplaudido
Distribuindo cachaça
No boteco e na praça
Pra muito eleitor vendido

Isso os moralistas não olham
Os guardiões da moral
Vivem batendo no peito
Pela decência total
Mas na própria cidade
Esquecem a calamidade
Da política imoral

Um bando de incoerentes
Querendo pagar de santo
Um tanto de cabra errado
Escondido pelo manto
Da falsa moralidade
Da podre politicage
Que aqui todos vemos tanto

Giano Guimarães

Poema sobre o mar

O oceano, um barco, uma rede
Os pés e o coração na areia
A mente num sonho de poesia
É tudo que o poeta semeia
Este poema é sobre o mar
Sobre a paz de um lugar
E sobre do que a alma está cheia.


Giano Guimarães

Nostalgia

Tenho saudade de um tempo
Em que tudo era mais simples
Sinto falta da pipa e do vento
Do bola na rua com os amigos
De contar histórias ao relento

Tenho saudades da inocência
Do meu tempo de menino
Da minha infante aparência
De quando eu não questionava
A injustiça, a dor é a existência

Sinto saudades da honestidade
Que eu via em quase tudo mundo
Hoje, fala mais alto a realidade
Desse sistema a cada segundo
Onde todos buscam uma "verdade".

Giano Guimarães


Cultivo

Entre dois mundos distintos
Queria cultivar flores ou frutos
Quem cultiva versos
Pode colher sentimentos no futuro
Ou pode lembrar do que viveu
Quando estiver mais maduro
Minha plantação de poesia
Não ficará num lugar cercado
todo poeta sente Alegria
Quando seu poema é declamado
Esse é o fruto que um dia
Com carinho foi Cultivado.


Giano Guimarães

Soneto de tristeza

Se os ventos mais bravios vão cessar
Não sei ainda. Hoje para minha surpresa
A chuva caia dos meus olhos sem parar
Das águas de uma nuvem de tristeza

Logo olhei para o céu sem esperança
Sem fagulha em mim de alguma alegria
Mas lembrei da minha firme aliança
Com os versos e a minha poesia

Tristeza às vezes vira poema
Como está acontecendo aqui agora
Diante da dor, angústia e problema

As dores vão ensinando a duras penas
A suportarmos a força que devora
A nossa paz por coisas tão pequenas

Giano Guimarães

Imperosa - Homenagem à cidade de Imperatriz-MA

Tenho guardado no peito
Um tempo muito feliz
Nesta cidade tão vibrante
Lugar onde fui aprendiz
Cidade tão laboriosa
É a grande Imperosa
Querida Imperatriz

A princesa do Tocantins
Vive dando vida a gente
É o coração Tocantino
Que pulsa incessantemente
A jóia dessa região
Rainha do Maranhão
É Imperatriz imponente

Tem lá suas contradições
Carência e dificuldade
Mas continua crescendo
E gerando oportunidade
Imperatriz tão querida
Forte, guerreira e sabida
É essa amada cidade

Giano Guimarães

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Voltas

Nas voltas que o mundo
vive dando toda hora.
Nos tempos já passados
que revivo no agora,
estão algum alento,
um curto sentimento
que vem e vai embora.

Que vem e vai embora,
o riso e a alegria,
o sono de uma noite,
a esperança de um dia.
Tudo volta pro lugar
se lá deveria estar,
isso alguém já dizia.

E em vez de voltar,
agora sigo em frente.
Como flecha no alvo,
como a água corrente.
Como manda o coração
vou vivendo de ilusão
enganando minha mente.

Giano Guimarães

Invenção

Invenção

Eu invento para não morrer logo
E se te crio em meu pensamento

É porque no vazio do teu abraço
Ficou todo o meu sentimento.

Eu invento para ficar em paz
E se me distancio a cada passo
É porque tudo me faz lembrar
Cada centímetro do teu espaço.

Eu invento para minha salvação
E se quem me salva é a poesia
Quem me ajuda é a invenção
A cada verso de um novo dia.

Giano Guimarães

Siga


Se te ferirem pelo caminho
Escreva um verso na mente
Ore, reze, medite ou caminhe
Trate a ferida que você sente
Não abandone seu ideal
Afaste tudo que te faça mal
E continue seguindo em frente.

Giano Guimarães

Distopia


Ta faltando otimismo
Só vejo hoje distopia
Para onde foi a esperança
Está morrendo a utopia
É tanta verdade oca
A razão ficando pouca
E muita gente vazia.

Giano Guimarães

Poemas ao acaso