No Brasil se elege o palhaço
Dizendo o povo não ter opção
Pois é melhor eleger o palhaço
Do que votar no ladrão
O palhaço perguntou ao palhaço:
O que é que faz um deputado federal?
O palhaço respondeu: não sei!
Mas te mostro no congresso nacional!
O povo achou lindo e engraçado
Riram até não aguentar mais
E na votação ganhou folgado
De tanto o verde ser apertado
O palhaço conseguiu o que queria
Foi o candidato mais votado
Resolveu os problemas da família
E agora é um Senhor deputado
A democracia foi respeitada
Mas às vezes é maltratada
Dizem que foi voto de protesto
Mas nesse caso eu contesto
Pois mesmo sendo honesto
Brincou com todo o resto
Giano Guimarães
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sexta-feira, 1 de junho de 2018
Já passei dificuldade
Já passei dificuldade
Provocada pela pobreza
A comida era pouca
Mas livrava da fraqueza
Tinha gente pior que eu
Que nada tinha na mesa
Giano Guimarães
Provocada pela pobreza
A comida era pouca
Mas livrava da fraqueza
Tinha gente pior que eu
Que nada tinha na mesa
Giano Guimarães
Insignificância
Nossa insignificância é extrema
Nesses dias de pura ganância
Ninguém de ninguém tem pena
O que prevalece é a arrogância
Daqueles que só querem a riqueza
E do outro esquecem a importância.
Giano Guimarães
Ali(é)nada
Assim o politiqueiro pensa
A respeito do eleitor
O trata como lixo
Desprezando seu valor
Mas em época de campanha
O eleitor é amado
Sua reputação é tamanha
Que seu ego é inflado
Seu voto vira barganha
Até seu chão é lavado
Mas por trás o que fazem
É dividir o tesouro
Tratam os votos que tem
Como moedas de ouro
Veem as pessoas como objetos
Como meras máquinas
As persuadem em secreto
Com conhecidas táticas
Dizem: aquela pessoa ali é nada
Por isso vamos manobrá-la
Vamos também manipulá-la
Não importa desrespeitá-la
Nossa cabeça é bombardeada
A cada instante assediada
Por uma matilha desalmada
De lobos em dia de caça.
Giano Guimarães
Do livro Politiquices
Politiquice
A política que não quero ver
Estou vendo o tempo inteiro
Na cidade, no estado
No país e no estrangeiro
A política do político
A política do patrão
A política da mentira
A política do ladrão
Vejo política na câmara
Vejo política do camarada
Vejo política na cama
Vejo política no sexo
Vejo política na fama
Vejo política no clero
Vejo a política da demagogia e do capitalismo
Do liberalismo, do puro oportunismo
Vejo política da ideologia e do fundamentalismo
Da ignorância e do sectarismo
Política para todos os gostos
Políticanalhas de todos os jeitos
Não vejo os politiqueiros fazerem política
Só vejo a politiquice da idiotice
Convencer pela malandrice
Através da picaretice uma grande massa
A Política que não quero ouvir
Ouço na boca do povo
No equivoco do cidadão
Que troca o voto pelo pão
E assim é de quatro em quatro
Entra e sai, nada muda
Sempre o mesmo teatro
Sempre um Deus nos acuda.
Giano Guimarães
Do livro Politiquices
Placebos
De políticos placebos
O Brasil está cheio
Proferem discursos vazios
Sem nenhum efeito
Lançam ao vento suas palavras
De latrina fazem o ouvido alheio
Se escondem detrás de mascaras
Mentem e enganam sem receio.
Giano Guimarães (do Livro "Politiquices")
Espaço dividido
Dentro da cidade existe
Um espaço bem dividido
Que claramente consiste
Em separar o pobre do rico
Nas planícies estão
As casas dos bacanas
Já nos morros se veem
As simples cabanas
O espaço é dividido
Entre mim e você
Entre o desprovido
E o homem polido
Que aparece na TV
O espaço é dividido
Pelo poder leviano
E está bem esculpido
Nos centro urbanos
Nesses centros se constroem
Grande projetos arquitetônicos
Arranha céus do capital
E shopping centers faraônicos
Uma cidade, dois mundos
De um lado o bairro nobre
No meio um abismo profundo
Do outro lado o bairro pobre
E o muro que separa
O pequeno do maioral
É o mesmo que mascara
A desigualdade social.
Giano Guimarães (do livro "Politiquices")
O discurso de Zé Ninguém
Zé Ninguém queria
Ser ouvido no congresso
Escreveu um belo discurso
Mas não obteve sucesso
Porque logo souberam
Se tratar de um protesto
Antes de acabar o mundo
Zé Ninguém pensou:
Quem sabe eles ouçam
A voz do eleitor!
Ele era ingênuo
Eleitor não tem valor
Zé Ninguém e-mail até mandou
Pra meia dúzia de deputados
Mas ninguém lhe retornou
Teve seu discurso Censurado
A alternativa que lhe restou
Foi ter seu texto publicado
Ele criou um blog
E postou seu discurso
Divulgou na rede social
E logo tomou um susto
A repercussão foi nacional
Zé Ninguém em seu discurso
Disse somente a verdade
Aquilo que não querem ouvir
Pois se trata da calamidade
Em que está a política do país
Que em sua raiz é só maldade
Zé ninguém discursava
Em nome da igualdade
Que tanto idealizava
E pedindo dignidade
Pelo povo ele clamava
por Justiça e seriedade
Em seu discurso criticava
Os privilégios e altos salários
Que os parlamentares recebem
Se aproveitando do erário
Enquanto o povo recebe o mínimo
Salário medíocre e ordinário
Ele tocava o dedo na ferida
Do político que é desonrado
Que não tem respeito pela vida
Do cidadão que é explorado
Que dia após dia, luta e briga
Pra colocar comida no prato
Zé Ninguém pedia melhor educação
Salário digno ao professor
Que trabalha muito e sem condição
Defendendo o ensino com amor
Em escolas ruins e maltratadas
Sem prestígio e sem valor
Falava da saúde doente
Sem hospitais e médicos
Onde todo dia morre gente
Por falta de atendimento
Nessa situação indecente
Está o povo no sofrimento
Zé ninguém no fim sugeria
Que os políticos usassem
O serviço público do país
Para que eles provassem
Das mazelas que ele diz
E na pele comprovassem
A situação do povo infeliz
Ele também lembrava do povo
Que a muito tempo não protestava
Desde o impeachment do Collor
Quando muitos de caras pintadas
Saíram as ruas pedindo a saída
Daquele que ao povo enganava
Mas Zé Ninguém dias depois
Se deparou com uma grande surpresa
De repente o povo acordara
Saindo da inércia e da moleza
Resolvendo ir às ruas reclamar
Da corrupção e da pobreza
De repente o povo acordou
Então Zé Ninguém muito feliz
Assistindo a TV até chorou
Vendo o povo unido do seu país
Nas ruas como ele sonhou
Lutando como ele sempre quis
Zé Ninguém esperançoso
Começou até a acreditar
Que esse sistema duvidoso
Poderia talvez mudar
Através da força do povo
Que para ruas foi lutar
Junto com Zé Ninguém
Milhões esperam o mesmo
Que nosso povo viva bem
Com dignidade e respeito
Sem pobreza e sem desdém
Como a todos é de direito.
Giano Guimarães (Do livro "Politiquices")
Eleição no Brasil
Período de eleição é assim
Começa tudo com a convenção
E se cria a coligação
Os comitês ficam cheios
Será com que interesse?
Com de o partido apoiar
Ou um dinheirinho ganhar?
Talvez os dois, eu creio!
E no horário político
Os candidatos usam a criatividade
Uns se fantasiam de super-herói
Outros choram de verdade
Apelam até pra Deus
Em nome da santidade
E aí vem a carreata
Nessa hora água vira gasolina
No posto ela se acaba
Mas a fila não termina
Todos querem um pouquinho
Do combustível da propina
Depois vem a passeata
É abraço e aperto de mão
Político tem que virar acrobata
Pra dar conta da adulação
Ainda tem os mau educados
Que de santinhos enchem o chão
E vão seguindo em frente
Nas casas batem nas portas
E dizem: conto com seu voto
E saem sorrindo e batendo
Aquele velho tapinha nas costas
É muro pintado pra todo lado
Bandeira agitada no sinal
É adesivo de candidato no carro
É propaganda em rede nacional
Tudo isso contribuindo pra danado
Com a poluição ambiental
Do debate na televisão
Não se aproveita nada
Só falta saírem na mão
De tanto trocarem farpas
E no palanque tem promessa
Tem reza, cantoria e oração
Discurso de todo jeito
Mentira lavada e enganação
Induzindo o povo ao erro
Na hora da votação
Então começa o discurso
Tem a palavra um sujeito
Com ar de homem direito
Segura o microfone na mão
Meus amigos e minhas amigas
Gente de minha nação
É com alegria e felicidade
Que me lanço nessa eleição
Conto com seu voto meu amigo
Venho lhe pedir com humildade
Sua confiança e colaboração
Pra melhorarmos a sociedade
Vou investir na educação
Incentivar os discentes
Aumentar a remuneração
E dar merenda decente
A essa grande população
Que tanto é carente
Vou dar casa popular
A saúde vai melhorar
Emprego vou gerar
A pobreza eliminar
Os buracos vou tampar
O pavimento vai chegar
E com a ajuda de deus conseguiremos
No fim conquistar essa vitória
Com seu voto contaremos
É sempre a mesma história
Que a cada dois anos vemos
Mas o povo não tem memória
Se tivessem lembrança
Não reelegiam político corrupto
E teriam mais desconfiança
Em época de eleição
Verificando a ficha
Dessa rama de ladrão.
Giano Guimarães (do livro "Politiquices")
De baixo
Me perguntam de onde sou
Se da esquerda ou da direita
Se do centro ou da diagonal
Se do socialismo ou do capital
Digo que sou de baixo
Do chão que eles pisam
Do fundo do tacho
Do abismo que criam
Sou de baixo mesmo
Nascido no caos
Na fome e a esmo
Entre pedras e paus
Sou a mão de obra barata
O cachorro vira lata
Vitima da política ingrata
Desses homens de gravata
Sou do lado da razão
Penso com independência
Ando na contra mão
Da política da demência
Sou a pedra no sapato
Dos políticos canalhas
Sou aquele inconformado
Com os rasgas mortalhas
Sou a voz do indignado
Que ecoa diariamente
Que tenta ser calado
Sou o voto consciente
O politiqueiro despreza esse voto
Pois ama o bajulador
Que funciona por controle remoto
E depende de favor
Nem esquerda, nem direita
Me fazem caminhar
Somente minha consciência
É capaz de me guiar
Giano Guimarães
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